O Herpes-Zoster é uma doença muito frequente em todo o mundo – estima-se que uma em cada cinco pessoas terá este diagnóstico ao longo da vida. Herpes Zoster: o que é, qual a causa e o tratamento?
Ela é causada pelo vírus Varicela Zoster (VVZ), que é o mesmo microrganismo causador da catapora ou varicela.
Essa doença costuma causar muito incômodo para quem a desenvolve, pois os sintomas podem ser muito intensos. Mas afinal, o que é e como tratar essa doença? Ela tem prevenção? Entenda um pouco mais sobre o Herpes-Zoster aqui.
O que é o Herpes Zoster?
Ele é causado pelo vírus da varicela, o mesmo vírus que causa a catapora, aquela bem conhecida doença da infância. O que nem todos sabem é que existe uma relação muito grande entre estas duas doenças.
A catapora, que ocorre geralmente na infância, acontece apenas uma vez na vida do indivíduo e se apresenta em forma de vesículas (bolinhas de conteúdo líquido) surgidas sobre manchas vermelhas por todo o corpo, as quais causam coceira e incômodo, sendo geralmente acompanhadas de febre alta e mal-estar.
Ela desaparece de forma espontânea, muitas vezes deixando cicatrizes na pele; entretanto, diferentemente do que parece, quando a catapora é curada não significa que o vírus foi completamente eliminado.

O vírus da varicela é capaz de entrar em latência, ou seja, um tipo de “adormecimento” do vírus que permanece alojado nos pontos de origem dos nervos do nosso corpo junto à coluna (gânglios nervosos) ou nos nervos do crânio. Este “adormecimento” pode durar por dezenas de anos ou, na maioria das pessoas, pela vida inteira.
Quando ocorre uma imunodepressão, ou seja, quando o sistema imune fica fragilizado, esse vírus que estava alojado em completo silêncio volta a se ativar e migra do nervo para a pele, causando a Herpes-Zoster, popularmente conhecida como cobreiro.
A fragilização do sistema imune que permite que isto ocorra pode ser motivada por várias causas, como estresse intenso, câncer, uso de medicamentos imunossupressores, outras infecções, entre outros. A partir dos 50 anos, ocorre uma redução natural da nossa imunidade do tipo celular, o que explica por que muitos idosos desenvolvem o herpes-zoster sem nenhum motivo aparente.
Geralmente essa nova manifestação da doença tende a ser intensa e causar dor aguda e severa exatamente sobre o trajeto do nervo onde o vírus reativado se encontrava alojado, sendo seguida pela formação de vesículas sobre manchas de cor avermelhada na pele (“bolinhas que viram bolhas pequenas, com pus e casquinhas”), as quais se distribuem caprichosamente em uma faixa que corresponde à área de atuação daquele nervo.
Alguns dias ou horas antes do surgimento de tais lesões, é muito comum que o paciente apresente uma sensação de dor em ardência (ou uma dor difícil de descrever), formigamento ou mesmo coceira na região onde surgirá, posteriormente, o herpes-zoster.
O local mais comum desta doença é o tórax, mas qualquer região do corpo pode ser acometida, inclusive a face e a cabeça. Em pessoas com boa saúde, normalmente apenas um trajeto de nervo é atingido.
Como muitas vezes a dor surge antes do aparecimento das lesões de pele, é muito frequente que os pacientes acometidos sejam atendidos em Emergências com suspeitas de outras doenças, inclusive podendo ser confundida com a dor do infarto do miocárdio quando afeta o tórax no lado esquerdo ou com otites quando afeta o trajeto de um ouvido; devemos pensar na possiblidade de herpes-zoster sempre que nos deparamos com uma queixa de dor localizada, de início súbito e recente, afetando um lado só do corpo e sem uma explicação clara para sua origem.
As lesões geralmente ocupam uma faixa que se estende por apenas um lado do corpo (direito ou esquerdo), sem cruzar a linha média, e costumam demorar entre 15 e 30 dias para desaparecer.
Mas afinal, porque o Herpes Zoster não é igual a catapora se são causados pelo mesmo vírus, o Varicela Zoster?
Algumas das causas para essa diferença são:
- Não são todos os vírus dormentes que são reativados. Dessa forma, o local que irá apresentar as lesões características do herpes-zoster será somente o trajeto do nervo onde o vírus foi reativado.
- O sistema imune, mesmo debilitado, já conhece o vírus e apresenta alguma capacidade de reação contra ele, contendo o seu espalhamento. Isso é uma situação bem diferente da catapora, a qual acontece após o primeiro contato do indivíduo com o vírus, momento em que o sistema imune não o conhece e demora muito mais tempo para reagir.
Quais os riscos do Herpes-Zoster?
Em geral, assim como a catapora, o Herpes-Zoster é uma doença que tende para a cura espontânea. Entretanto, em alguns casos essa doença pode levar complicações mais sérias, sendo a dor intensa persistente, conhecida como neuralgia pós-herpética, a mais comum delas, particularmente entre os idosos.
Pacientes com imunossupressão intensa, como no caso de transplantados ou aqueles em uso de quimioterapia para o câncer, podem desenvolver formas graves, com o vírus se espalhando para várias regiões do corpo, inclusive para dentro do cérebro.
Importante destacar que o herpes-zoster, diferentemente da catapora, não se transmite por meio do ar ou das gotículas respiratórias, não sendo necessário isolamento rigoroso do paciente acometido.
No entanto, o líquido claro contido dentro das vesículas que aparecem no início da doença contém vírus ativos capazes de infectar outras pessoas que tocarem nele, especialmente se estas pessoas não tiverem imunidade prévia contra a varicela.
Por isso, as lesões com vesículas não devem ser manipuladas sem proteção e deve-se evitar o contato direto do paciente com crianças pequenas, gestantes, imunossuprimidos ou qualquer outra pessoa que não tenha sido imunizada previamente contra a varicela.
É fundamental sempre procurar auxílio médico para o correto diagnóstico e tratamento desta doença.
Como tratar Herpes-Zoster?
O tratamento contra o Herpes-Zoster consiste basicamente em:
- Uso de medicamento antiviral por via oral na maioria dos casos; idealmente, tais medicamentos devem ser iniciados em até 72 horas após o início dos sintomas para atingirem a máxima eficácia. A orientação médica adequada é essencial, pois tais medicamentos devem ser usados em doses elevadas e com intervalos rigorosos para obterem êxito. São frequentes os casos de automedicação com doses equivocadas, confundidas com o tratamento do herpes simples, o qual é uma moléstia totalmente diferente. O objetivo do tratamento é diminuir o tempo de duração das lesões e da dor, além de prevenir as complicações, especialmente a dor persistente. Casos de herpes que afetem as regiões em torno dos olhos são especialmente perigosos e devem ser avaliados imediatamente em caráter de urgência, preferencialmente com a participação de um Oftalmologista.
- Uso de medicamentos para aliviar os sintomas como dor (analgésicos), coceira e irritação;
- Uso de compressas para alívio da coceira e da irritação da pele.

A vacinação das crianças contra a catapora, incluída no Programa Nacional de Imunizações e disponível no SUS desde 2013, deverá ser uma grande aliada na redução da incidência do Herpes-Zoster no futuro, sendo mais uma razão para manter as crianças com o calendário vacinal em dia.
Para quem chega aos 50 anos de idade, existe também a vacina específica para o herpes-zoster, capaz de evitar em torno de 50% dos casos. Entretanto, ela não é disponibilizada pelo SUS, sendo encontrada apenas em clínicas e laboratórios particulares.